O volume de conteúdo exigido pelas plataformas digitais mudou a lógica do marketing. Em um ambiente em que algoritmos privilegiam testes constantes de criativos, marcas passaram a disputar atenção em escala industrial, mas ainda operam com estruturas pouco eficientes para produzir conteúdo que converta.
Na prática, muitas empresas seguem dependentes de agências, freelancers ou influenciadores contratados por alcance, sem previsibilidade sobre resultado. O problema se torna ainda mais evidente entre marcas DTC e operações que dependem de tráfego pago para crescer.
Ao mesmo tempo, o consumidor se tornou mais resistente a campanhas excessivamente produzidas. Conteúdo espontâneo, com linguagem mais próxima da rotina real, ganhou espaço como ativo de conversão.
É nesse contexto que a Noovid surge como uma infraestrutura para produção de conteúdo UGC (user generated content) orientado à performance.
Fundada por Jade Perle Louis, Rikin Katyal e Lucemilton Junior, a startup conecta marcas a criadores de conteúdo em um modelo sem intermediação de agências, estruturando desde o matchmaking até os direitos de uso das peças produzidas.
A proposta é transformar a criação de conteúdo em um processo escalável, previsível e baseado em dados.
O crescimento da creator economy abriu um mercado bilionário ao redor de creators, influencers e conteúdo digital. Mas a operação ainda funciona, em grande parte, de maneira fragmentada.
Para marcas, isso significa lidar com negociações manuais, dificuldade de gestão, prazos inconsistentes e pouca visibilidade sobre retorno financeiro das campanhas.
“O mercado de conteúdo no Brasil tem um problema estrutural: marcas dependem de processos manuais e relacionamentos informais para produzir algo que precisam em volume. Agência demora, influencer é imprevisível, freelancer não tem processo. Nenhuma dessas opções escala”, afirma Jade Perle Louis, cofundadora da Noovid.
Segundo relatório do banco Goldman Sachs, a creator economy global pode se aproximar de US$ 500 bilhões até 2027, impulsionada pela profissionalização do setor e pela migração de investimentos publicitários para conteúdo digital.
Durante anos, campanhas com influenciadores foram estruturadas em torno de métricas como seguidores, visualizações e engajamento. O avanço do marketing de performance, porém, alterou essa lógica. Hoje, especialmente em operações digitais, o foco está em conversão.
Isso mudou também o tipo de conteúdo demandado pelas marcas. Em vez de grandes campanhas institucionais, empresas passaram a buscar vídeos curtos, autênticos e produzidos em alto volume para testes constantes em plataformas como TikTok, Instagram e Meta Ads.
A origem da Noovid veio justamente dessa dor operacional. Antes da startup, Jade e Lucemilton fundaram uma marca de óculos DTC e enfrentaram dificuldades para produzir conteúdo com velocidade e previsibilidade sem depender de agências tradicionais.
“Quando você está do lado da marca, você percebe que o problema não é falta de criadores. O Brasil tem criadores em abundância. O problema é a ausência de infraestrutura para conectar esse talento a marcas de forma organizada, previsível e orientada a resultado”, diz a fundadora.
A empresa opera conectando marcas a criadores para produção de UGC em escala, com processos padronizados e direitos de uso integralmente transferidos às empresas contratantes. O modelo elimina intermediários e busca reduzir o tempo entre briefing, produção e publicação dos criativos.
Além da operação marketplace, a startup aposta em inteligência artificial como camada estratégica para orientar decisões criativas.
A ideia é usar dados históricos de performance para identificar padrões de conversão e direcionar a produção de conteúdo antes mesmo da campanha ir ao ar.
“A pergunta que toda marca deveria estar fazendo não é ‘esse vídeo ficou bom?’, é ‘esse vídeo vai converter?’. São perguntas completamente diferentes. O que estamos construindo com IA é exatamente essa capacidade: orientar cada decisão criativa por dados de performance, não por intuição”, afirma Jade.
A Noovid afirma já reunir milhares de criadores e marcas ativas na plataforma, com crescimento consistente mês a mês.
O avanço acompanha uma mudança estrutural no próprio mercado de publicidade digital. Com aumento do custo de aquisição em plataformas pagas, empresas passaram a buscar eficiência criativa como diferencial competitivo.
Isso favorece modelos capazes de gerar volume de testes sem ampliar proporcionalmente o custo operacional. Ao mesmo tempo, o creator economy brasileiro continua crescendo impulsionado pela profissionalização de creators independentes e pela descentralização da produção de mídia.
Nesse cenário, plataformas que funcionam como infraestrutura – e não apenas como intermediação comercial – começam a ocupar espaço estratégico dentro da cadeia de marketing digital.
Apesar do crescimento do setor, o mercado brasileiro de creator economy ainda opera com baixa padronização em comparação a segmentos mais maduros da publicidade digital.
Grande parte das relações continua baseada em negociações individuais, processos informais e pouca integração tecnológica.
A aposta da Noovid é que a próxima fase desse mercado será menos dependente de influência e mais conectada a performance mensurável.
Na prática, isso aproxima o conteúdo produzido por creators da lógica operacional já consolidada em mídia paga: testar rápido, medir continuamente e escalar o que converte.
Com a pressão crescente por eficiência no marketing digital, empresas que conseguirem transformar produção criativa em processo estruturado tendem a ganhar relevância em um mercado cada vez mais orientado por dados.