Sexta-feira, 10 de abr de 2026
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Jornalista formada pela UFRGS e colunista de Economia em Zero Hora e GZH.
Preço da matéria-prima passou a ser definido em bolsas internacionais, o que favorece fortes oscilações de cotações
Marta Sfredo
Ainda na noite de domingo no Brasil, uma superdisparada no preço do petróleo pressionou ainda mais a Petrobras a repassar parte desse aumento para os combustíveis e outros derivados no Brasil. Mas como funciona esse mercado que define vidas em todo o mundo?
No passado, quem determinava o preço era a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No entanto, a descoberta do petróleo de xisto (shale oil) transformou os Estados Unidos no maior produtor do planeta e fez com que, atualmente, 60% da produção dessa matéria-prima esteja fora do controle do cartel. É claro que uma organização formada pelos outros 40% ainda detém poder considerável, mas não é mesmo do tempo dos primeiros choques de petróleo.
Embora ainda flutue com decisões da Opep, o preço hoje é baseado principalmente na negociação de contratos para entrega futura, mais compatível com a natureza e a logística da atividade. Como é uma negociação financeira em bolsas de mercadorias, tem instrumentos de especulação, que são derivativos, ou seja, nos quais não se negocia a entrega física do petróleo. Há “apostas” com objetivo apenas de ganhar com a oscilação até durante o mesmo dia. Isso faz com que possa haver forte volatilidade – altas e baixas seguidas – em um só dia.
Em qualquer caso, a principal referência é a cotação do petróleo brent. É um tipo de óleo leve e “doce”, que torna o refino mais fácil e barato para obtenção de combustíveis. E é “doce” por ter menor teor de enxofre. O nome vem de um campo no Mar do Norte já descomissionado (com atividades encerradas). Mas ainda são negociados tipos semelhantes, conhecidos pela sigla BFOET (de Brent, Forties, Oseberg, Ekofisk e Troll).
A cotação, por sua vez, é determinada em uma bolsa de matérias-primas chamada Intercontinental Exchance (ICE). Com operações em Londres, opera nesta época do ano da zero hora às 22h locais (no Brasil hoje, das 21h de um dia às 19h do seguinte). Portanto, interrompe as negociações apenas por duas horas ao dia para cobrir todos os fusos horários, exatamente por ter abrangência global.
Existe outra referência para o mercado americano, que é o West Texas Intermediate (WTI), também leve, mas com abrangência menor do que a do brent. Os preços são formados na New York Mercantile Exchange (Nymex), que prevê entrega física da mercadoria em Cushing, Oklahoma. O usual é que os preços do brent subam mais e sejam mais altos do que os do WTI. Nos últimos dias, porém, surgiu uma “anomalia”: os preços do WTI subiram mais. É que o petróleo disponível de forma mais imediata, ao menos para boa parte do mundo, é o americano.