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ANÁLISE
Danylo Martins
O Open Finance no Brasil completou cinco anos neste domingo (1/2) consolidado como o maior do mundo. O ecossistema reúne atualmente mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas (pessoas físicas e empresas) e 154 milhões de consentimentos ativos, de acordo com dados disponíveis no Dashboard do Cidadão, no site Open Finance Brasil. Entre 2024 e 2025, houve um crescimento de 143% na quantidade de consentimentos únicos – ou seja, CPFs e CNPJs que compartilharam dados. Já o número de consentimentos avançou 149% na mesma base de comparação.
A evolução coloca o País à frente de 78 nações com regulações do setor, conforme um estudo recente feito pela empresa de tecnologia Sensedia em parceria com a plataforma de conteúdo Let’s Money. O levantamento aponta que a combinação de infraestrutura robusta, que gera mais de 5 bilhões de comunicações semanais entre instituições, e aplicações práticas, como o Pix Automático e a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), diferencia o modelo brasileiro.
Na avaliação do Banco Central (BC), o Open Finance no País se consolidou como referência global, combinando grande escala, casos de uso maduros e integração avançada com o Pix. “O principal desafio agora é transformar conhecimento em uso”, destaca a autarquia, em resposta ao Finsiders Brasil. “Embora muitos brasileiros conheçam o Open Finance, há muito mais potencial para sua expansão e uso. Mas para isso é necessário que sejam implementadas ações de educação financeira, comunicação e melhorias na experiência do cliente.”
Para Natalia Cruz, responsável por Open Finance na Sensedia, o Open Finance deixou de ser promessa tecnológica e se tornou estratégia de negócio em escala global. “O Brasil está à frente na construção de casos de uso que simplificam a vida do consumidor e aumentam a competitividade”, afirmou a executiva.
Gustavo Lino, diretor-executivo da Init, associação que representa os Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs), avalia que o ecossistema atingiu maturidade. “Mas obviamente tem muito espaço para melhorar em termos de conversão e qualidade de dados. E isso passa por dar mais atenção para o monitoramento”, analisa, em conversa com o Finsiders Brasil.
Segundo ele, o potencial é de 500 a 600 milhões de consentimentos. “E para isso, precisa melhorar a experiência”, defende. Na visão do especialista, o ano de 2025 foi representativo por contar com grandes lançamentos, entre eles, as novas funcionalidades do Pix, como o Automático e por Aproximação.
Para este ano, em relação à modalidade da iniciação de pagamento, Lino projeta um “ano de arrumação de casa”. Entre as prioridades estão incrementos no Pix por Aproximação, incluir PJ no serviço, jornada desktop para JSR, mais casos de uso e melhorar qualidade, conversão e monitoramento.
Reportagem recente do Finsiders Brasil mostrou que, em 2025, a iniciação de pagamento via Pix ganhou musculatura e movimentou R$ 15,3 bilhões. O volume transacionado é recorde e representa um crescimento de quase cinco vezes em relação aos R$ 3,2 bilhões registrados em 2024. O maior impulso veio no final do ano – foram mais de R$ 7 bilhões apenas entre outubro e dezembro. Os dados são do Banco Central (BC).
Em quantidade de operações, o crescimento da iniciação de pagamento foi ainda maior. Passou de cerca de 7,4 milhões de transações em 2024 para 64,5 milhões ao final de 2025. Ou seja, um incremento de quase nove vezes entre um ano e outro. Assim como o volume financeiro, o número de transações se concentrou nos últimos três meses de 2025. Nesse período, foram 32,6 milhões de operações, isto é, metade do ano todo.
Conforme dados disponíveis no Dashboard do Cidadão, de outubro a dezembro de 2025, os maiores ITPs foram três fintechs: Iniciador, Google Pay e Nubank. Significa, então, que as instituições tiveram o maior volume de chamadas de APIs nesse período.
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No entanto, quando consideramos o ano todo de 2025, as instituições trocam de posições entre si no ranking. Os três maiores iniciadores foram Nubank, Google Pay e Iniciador. No ‘top 5’, aparecem ainda Belvo e Muevy.
Apesar do avanço célere, o Open Finance ainda esbarra em desafios como falta de confiança, barreiras comportamentais e déficit de educação financeira, aponta Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X, empresa de soluções de infraestrutura para o mundo Open.
De acordo com um levantamento da empresa por meio da plataforma de consumer insights da MindMiners, 76,8% dos brasileiros afirmam conhecer o Open Finance. No entanto, apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados. Mesmo assim, 75,2% gostariam de poder consolidar suas múltiplas contas em um único aplicativo. A pesquisa contou com 1 mil respondentes.
O estudo aponta, ainda, um baixo aproveitamento das funcionalidades de educação financeira oferecidas pelos próprios bancos. Embora 81% dos brasileiros afirmem que o aplicativo é o principal canal de relacionamento com a instituição financeira, apenas 23,1% seguem as orientações financeiras personalizadas recebidas por esse meio. Outros 25,7% recebem, mas raramente colocam em prática, e 13,1% simplesmente ignoram o conteúdo.
Para além dos números exuberantes de consentimentos em sua trajetória de cinco anos, o Open Finance no Brasil começa a mostrar resultados por meio de casos de uso. Em operações de crédito, por exemplo, já são R$ 31 bilhões em originação com base no compartilhamento de dados. Desse montante, R$ 12 bilhões foram no primeiro semestre de 2025. As fintechs responderam por R$ 5,4 bilhões dos R$ 31 bilhões, ou seja, pouco mais de 17%. Os dados foram compartilhados por Matheus Rauber, chefe de Subunidade no Departamento de Regulação do BC, em eventos no ano passado.
Nesta semana, terá início a portabilidade de crédito via Open Finance. O novo serviço está em fase de testes desde o começo de novembro de 2025. Na largada, o foco está em modalidades de crédito sem garantia e sem consignação. Na sequência, o BC vai discutir a portabilidade de crédito consignado para o servidor público federal, com expectativa de lançá-la em novembro de 2026, conforme mostrou reportagem especial do Finsiders Brasil. “A jornada será totalmente digital, padronizada e mais rápida, permitindo migração automática de dívidas entre bancos e ampliando a concorrência”, diz o BC.
De acordo com o BC, além da portabilidade de crédito, outros temas prioritários para este ano incluem melhoria contínua da performance das instituições participantes, assim como melhorias nas jornadas de iniciação de pagamento. A implementação da chamada “jornada otimizada” – uma só jornada para consentimento para pagamentos e compartilhamento de dados de saldo – é mais uma prioridade na agenda.
O regulador elenca, ainda, a implementação da “jornada assíncrona“. Trata-se do desenvolvimento de uma jornada alternativa, que possibilita que o cliente conclua o consentimento em momento posterior no app da sua instituição. “Além de facilitar o processo de autorização de clientes PJ, esse tipo de jornada endereça situações de eventuais falhas de conectividade, melhorando a a experiência do cliente”, diz o BC.
Estão previstas, ainda, ações para facilitar o uso do Open Finance por empresas, em que é exigida autorização de múltiplas alçadas para aprovação do consentimento. Discussões sobre portabilidade de salário e de investimentos também estão no radar para o ano.
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