Rico, pobre ou classe média? Quanto é preciso ter de renda para ser considerado classe A, B, C ou D no Brasil – ISTOÉ DINHEIRO

Rico, pobre ou classe média? Quanto é preciso ter de renda para ser considerado classe A, B, C ou D no Brasil – ISTOÉ DINHEIRO

Consumidora em supermercado na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul (Crédito: REUTERS/Diego Vara)
Da redaçãoi Da redação https://istoedinheiro.com.br/autor/da-redacao
24/01/2026 – 10:00
Saber em qual classe econômica uma pessoa se encaixa é uma dúvida comum no Brasil. As metodologias para cálculo de em qual das ‘caixinhas’ cada fatia da população se enquadra divergem, dado que cada parte da academia defende recortes diferentes.
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Conforme mostrado pela IstoÉ Dinheiro no ano anterior, alguns pesquisadores optam por dividir a população brasileira em três grupos e analisar a renda média de cada, enquanto outros defendem divisão por faixas de renda.
A metodologia de análise ganha relevância à medida que norteia debates sobre consumo, políticas públicas, mercado de trabalho e também conversas do dia a dia. Nesta semana, a FGV Social trouxe uma nova ótica para o tema, com novos dados, no trabalho ‘Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024’, do economista Marcelo Neri.
O estudo analisa a evolução das classes econômicas brasileiras entre 1976 e 2024 e usa como base a renda domiciliar per capita, convertida em renda domiciliar total. O foco é entender como a população se distribui entre as classes E, D, C, B e A ao longo do tempo.
A metodologia parte da renda domiciliar per capita, ou seja, a soma dos rendimentos do domicílio dividida pelo número de moradores. Esse valor é usado para evitar distorções causadas pelo tamanho das famílias, que diminuiu de forma consistente nas últimas décadas.
Para facilitar o entendimento do público, a FGV converte esse dado em renda domiciliar total, usando o tamanho médio dos domicílios brasileiros. Os valores são corrigidos pelo IPCA e estão expressos em reais a preços médios de 2023.
Esse critério permite comparar pessoas e famílias ao longo do tempo e observar movimentos de mobilidade econômica, como entrada e saída da chamada classe média.
De acordo com o estudo da FGV Social, os limites de renda que definem cada classe econômica no Brasil são os seguintes:
Vale destacar que estes valores servem como referência estatística. Eles não consideram patrimônio acumulado, como imóveis ou aplicações financeiras, nem o custo de vida específico de cada cidade.
Em 2024, a maior parcela dos brasileiros estava concentrada na classe C. Segundo a FGV Social, cerca de 60,9% da população se encontrava nesse grupo. Já as classes A e B, somadas, representavam pouco mais de 17% dos brasileiros.
Na outra ponta, D e E atingiram, juntas, cerca de 21,8% da população, o menor patamar da série histórica iniciada em 1976. O dado indica uma mudança relevante na distribuição de renda ao longo do tempo.
O estudo também trabalha com o conceito de classes ABC, que reúne as classes A, B e C. Em 2024, esse grupo passou a representar 78,1% da população brasileira. Entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas migraram para esse segmento.
“A participação das classes A, B, C e da combinação ABC na população total observada atingem em 2024 17,21%, 60,97% е 78,18%, respectivamente, que correspondem aos níveis mais altos de cada uma dessa séries históricas”, diz Neri, da FGV, no estudo.
Esse movimento foi observado a partir dos dados da PNAD Contínua e reflete a evolução da renda do trabalho no período. A FGV destaca que a expansão recente ocorreu em ritmo mais acelerado do que em ciclos anteriores, como o observado entre 2003 e 2014.
Usar apenas a renda total do domicílio pode levar a erros de interpretação. Famílias menores tendem a apresentar renda total mais baixa, mesmo quando os moradores têm renda individual maior.
Entre 1992 e 2024, o número médio de pessoas por domicílio caiu de forma consistente no Brasil. Ignorar essa mudança poderia subestimar ganhos de bem-estar e distorcer comparações ao longo do tempo. Por isso, a renda per capita é o ponto de partida da metodologia.
Os dados mostram que a distribuição das classes econômicas varia conforme a região do país, o tamanho do município e o perfil do responsável pelo domicílio. Regiões Sul e Sudeste concentram maior proporção de pessoas nas classes A, B e C, enquanto Norte e Nordeste apresentam maior presença nas classes D e E.
Fatores como escolaridade, posição no mercado de trabalho e acesso a rendimentos previdenciários também influenciam diretamente a classificação econômica. Domicílios chefiados por pessoas com ensino superior completo tendem a se concentrar nas classes mais altas.
Outro ponto analisado pela FGV Social é a mobilidade econômica. Entre 2023 e 2024, quase metade das pessoas que já tinham renda do trabalho registrou aumento real nos ganhos. Ao mesmo tempo, caiu a proporção de pessoas que perderam renda ou deixaram de ter rendimentos.
Esses movimentos ajudam a explicar o crescimento da participação das classes ABC no período mais recente e mostram como mudanças no mercado de trabalho impactam a estrutura de classes.
Apesar de a renda ser um critério objetivo e mensurável, ela não esgota o debate sobre classe social. O próprio estudo ressalta que fatores como educação, acesso a serviços públicos, patrimônio e expectativas em relação ao futuro também moldam a posição econômica das famílias.
Ainda assim, a renda continua sendo a base mais usada para análises econômicas e comparações internacionais, especialmente quando o objetivo é acompanhar tendências ao longo do tempo.
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