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NEGÓCIOS
Danylo Martins
A fintech cearense Somapay nasceu em 2014 como uma plataforma com foco em folha de pagamento. Nos últimos anos, vem ampliando a atuação com a criação de conta digital e modalidades de crédito, como consignado privado. Agora, a empresa fundada em Fortaleza está entrando no mercado de benefícios com a compra de 40% da Bee Vale, startup carioca especializada em benefícios flexíveis. O valor da transação e os termos não foram revelados.
Com a aquisição, as empresas têm a expectativa de que a Bee Vale cresça cerca de 300% nos próximos 24 meses. Atualmente, a Bee Vale atende 1 mil empresas, a maioria de pequeno e médio porte. A Somapay, por sua vez, possui uma base com cerca de 2 mil companhias, que têm pelo menos 500 colaboradores — a maior delas totaliza 20 mil profissionais.
Em entrevista exclusiva ao Finsiders Brasil, Nayana Branco, COO da Somapay, explica que a transação é mais um passo na estratégia da fintech para formar um ecossistema de soluções para empresas e seus colaboradores. “Fomos vendo todas as dores das empresas e de seus funcionários, e uma delas era ter os benefícios numa só plataforma.”
A aquisição de uma fatia na Bee Vale permite integrar o cartão multibenefícios dentro do aplicativo da Somapay. Isso, aliás, já está rodando com quatro companhias e deve ser liberada para todo o mercado em breve. Na prática, pelo mesmo app em que tem a conta digital, recebimento de salário e oferta de crédito, os usuários conseguem acompanhar o saldo e extrato do cartão de benefícios. “Para o pessoal de RH, também está tudo numa só plataforma”, diz Nayana.
Os próximos passos do acordo envolvem realizar outras integrações do produto da Bee Vale com as soluções da Somapay, assim como avançar na estratégia de cross-sell (venda cruzada) entre as duas empresas. Nayana aponta, ainda, uma tendência de mercado que deve impulsionar os negócios no segmento. Trata-se da portabilidade de benefícios. “Estamos apostando nisso, e foi um dos motivos para a aquisição”, afirma a executiva.
No ano passado, o governo federal publicou o Decreto nº 11.678/2023 para regulamentar as mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que já haviam sido aprovadas pelo Congresso Nacional por meio da Lei 14.442, de setembro de 2022. O decreto estabelece, entre outras regras, o mecanismo de portabilidade que “ocorrerá por solicitação expressa do trabalhador e será gratuita”. A implementação dessas mudanças, contudo, ainda depende de diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego.
“No nosso caso, já sabíamos que queríamos um cartão bandeirado de rede aberta, porque tem tudo a ver com a Somapay”, diz Nayana. O modelo de arranjo aberto é aquele que vem sendo usado na oferta de benefícios flexíveis por startups como Caju, Flash, Swile, iFood e outras. São empresas que buscam fomentar a concorrência num mercado dominado por nomes como Ticket, Alelo, Sodexo e VR.
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A entrada em benefícios é um dos planos da Somapay para aumentar a receita e a base de clientes ao longo de 2024. A fintech, que opera como Sociedade de Crédito Direto (SCD), também espera crescer a carteira de crédito consignado privado. Para julho, prepara o lançamento do consignado público, revela Nayana. “Neste ano, estamos muito focados em expansão de base e receitas.”
Além disso, a Somapay vai inaugurar, também em julho, um escritório em São Paulo. A fintech já avalia, inclusive, mudar sua matriz, hoje em Fortaleza, para a capital paulista. “Ainda estamos estudando isso”, diz Nayana. “Ficamos muito em ponte aérea. Quando vamos para São Paulo, as coisas acontecem mais rapidamente.”
Fundada por Nayana e Fernando Gurgel — filho do empresário industrial Fernando Cirino —, a Somapay atua desde o início com recursos próprios. Ou seja, não levantou até hoje rodadas de investimento com fundos de venture capital como o fizeram muitas fintechs que atuam com soluções financeiras para funcionários de empresas.
“Sempre acreditamos em fintech ‘camelo’”, brinca Nayana. O animal se caracteriza por manter reservas de gorduras que o ajudam a enfrentar períodos de escassez de alimentos e água. Passada a época do dinheiro abundante, as fintechs vêm precisando se preocupar cada vez mais com a gestão dos recursos. “Todo mundo que vivia de rodada em rodada teve que colocar pé no freio”, diz Nayana.
A investida da Somapay no mercado de benefícios flexíveis ocorre num momento em que as principais startups do segmento fazem o caminho inverso. Ou seja, buscam avançar em pagamentos e outros serviços financeiros.
Em outubro do ano passado, por exemplo, a Flash recebeu autorização do Banco Central para operar como instituição de pagamento. Há quem também busque crescer no mercado de benefícios provendo infraestrutura, como a Swap.
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