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Assistente pessoal
Gustavo Brigatto
Tenho certeza que você está lendo essa matéria pensando no conta que não pagou, ou naquela consulta médica que nunca consegue marcar. Se esse é o caso, seus problemas podem ser resolvidos antes mesmo de você chegar ao fim da página. Afinal, ajudar a resolver essas questões do dia a dia é a proposta da Tempo.
Nascida há um ano, a companhia quer tornar mais acessível a experiência de ter um assistente pessoal usando o WhatsApp e a inteligência artificial. O plano é usar a IA para escalar as interações e fazer um primeiro nível de atendimento, enquanto seres humanos vão lidar com o relacionamento e demandas não tão padronizáveis quanto pagar uma conta. manter pessoas no relacionamento para não perder o toque pessoal nos atendimentos.
“No backend já temos muita coisa em IA. Queremos ter uma assistente atendendo 100 clientes”, conta Eduardo Latache, cofundador e CEO da Tempo.
A companhia foi fundada por dois nomes experientes. Eduardo Latache, que até o começo do ano passado esteve do outro lado do balcão, como sócio do fundo de investimento Base Partners. E Raul Lima, que foi CTO da empresa de banking as a service Bankly – comprada pela Méliuz e depois absorvida pelo BV.
Isso é importante porque uma parte da operação da Tempo tem um componente de fintech. Para gerenciar os pagamentos dos clientes, ela oferece uma conta pré-paga para onde os valores são transferidos. A cada pagamento que se aproxima, é enviado uma comunicação para que uma transferência seja feita. Com a evolução do Open Finance, a ideia é que o débito já possa ser feito diretamente. A estrutura da conta é contratada junto à Celcoin.
Com 150 clientes, a Tempo tem atendido muita demanda de pagamento de funcionários domésticos como caseiros e cozinheiros, de impostos (IPVA, IPTU etc.), solicitação de reembolsos médicos, agendamento de consultas e compra de passagens aéreas e compras em geral. “Outro dia pediram alguém para buscar uma encomenda em Buenos Aires”, conta Eduardo. O fundador reforça, no entanto, que a Tempo não é um “concierge de luxo. “É um parceiro do dia a dia”, crava.
O público-alvo são clientes dos segmentos de alta renda dos bancos, como Itaú Personalité e o Santander Unique, e famílias com gastos entre R$ 30 mil e R$ 40 mil.
Assim como os bancos, a tese da Tempo é de principalidade. “Eu tenho o contexto das transações do cliente, o que muitas vezes o banco não tem”, explica Eduardo.
Apesar de ter o mesmo direcional, ele garante que o plano não é ser banco e oferecer serviços financeiros. O plano, segundo ele, é buscar algo mais na linha da CRM Bonus. “Não quero entrar na vida financeira das pessoas. Mas na transacional”, conta.
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A operação começou a rodar em junho do ano passado, com preço de R$ 490. Hoje, o plano inicial da empresa está R$ 790 por mês para uma pessoa e em R$ 1.190 para famílias. Os valores podem mudar de acordo com o volume e o número de pessoas usando. O tíquete médio está em R$ 1.100, o que já dá ao negócio uma receita mensal na casa dos R$ 165 mil. No último mês, o crescimento foi de 40%.
O avanço tem acontecido no boca-a-boca, e Eduardo não quer investir para acelerar a aquisição de novos clientes. “Estamos focados no produto”, diz. A equipe da Tempo hoje é composta por pouco mais de 30 pessoas, sendo 12 de tecnologia e produto e outras 20 de atendimento.
Para começar a operar, a Tempo levantou um primeiro investimento ano passado, com a Maya Capital. Depois entraram Norte e investidores anjo como Matheus Goyas (Trybe), Rubens Zanelatto (Mottu), Berthier Ribeiro (UME) e David de Picciotto (scout da Sequoia Capital).
Para completar a captação, a Caravela Capital acaba de assinar um cheque de quase US$ 1 milhão. “Quando conhecemos a Tempo logo percebemos o quão grande era a oportunidade não só em termos do serviço prestado, como também em criar um canal. Pela Tempo, as pessoas fazem compras, viajam, contratam serviços; isso é muito poderoso em termos de canal – qualquer empresa gostaria de estar plugada ao ecossistema da Tempo“, diz Fred Guesser, sócio da gestora. Ao todo, o aporte somou US$ 4,5 milhões – cerca de R$ 25,6 milhões na cotação atual.
Convencer investidores nunca é uma tarefa fácil. Mas Eduardo conta que as conversas foram produtivas porque muitos deles tinham a dor que o serviço se propõe a resolver, e quiseram se tornar clientes-piloto. Mesmo quem não quis investir. Das conversas para a rodada, a companhia conseguiu de 15 a 20 clientes.
A Tempo se inspira muito na americana Duckbill, que levantou uma série A de US$ 25 milhões em 2023. A diferença é que na terra do Trump o cartão de crédito é o principal meio de gestão das contas, enquanto por aqui o Pix tem ganhado relevância, e o WhatsApp é a base do relacionamento.
Ela também reforça a tendência do aplicativo queridinho dos brasileiros se tornar uma plataforma para lançamento de novos negócios, como o banco digital Magie, e assistentes virtuais como a Zapia. A Alfredo nasceu também em 2024, mas recentemente anunciou uma “pausa estratégica” para repensar sua operação.
Além da venda direta no modelo B2C, a Tempo enxerga a possibilidade de crescimento no B2B. Hoje ela já atende um family office que oferece o serviço aos seus clientes. Além disso, empresas podem contratar a Tempo para atender a necessidades de seus executivos e torná-los mais produtivos.
No caminho, Eduardo também enxerga a possibilidade de criar novas ofertas, como pacotes de serviços com menos opções de entregas e preços mais baixos. “A tese da rodada é escalar com human in the loop. Já provamos que existe demanda. Agora é transformar isso mais em produto e menos em serviço”, completa.
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